terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

On 19:40 by Rogério Tobias in


Publicado no Jornal Estado de Minas em 20 de fevereiro de 2011.

As empresas têm despendido grandes esforços na melhoria de seus produtos, na distribuição, na mídia e em outras áreas importantes da sua estratégia de marketing. Muitas, no entanto, apesar dos investimentos feitos, não vêm conseguindo resultados compensadores.

Uma pesquisa recente mostra que diminuiu a admiração da população por profissionais de vendas, atendentes e executivos do mercado publicitário. O mesmo estudo mostra que as profissões mais admiradas são aquelas em que as pessoas provocam mudanças positivas na vida dos consumidores, tais como professores, médicos e enfermeiras.

Posso acreditar que esses resultados não são assustadores, pois, o preparo, a capacitação e até a definição dos valores corporativos vêm perdendo o seu valor e deixando de ser alvo de atenção de muitas empresas, o que cria imagens negativas.

Quando eu cursava administração, aprendia-se muito sobre a questão da missão empresarial, a definição dos valores orientadores da ação e políticas de atuação das empresas. Aquilo tudo parecia óbvio em corporações que queriam se desenvolver no mercado. Com o passar do tempo e, a partir da vivência com empresas reais, pude perceber que muitas delas não têm isso bem definido e, consequentemente, não praticam valores essenciais.

A falta dessa cultura empresarial ou a falha no seu processo de divulgação aos empregados, faz com que muitos erros atinjam os clientes, que, por falta de credibilidade da empresa, a abandonam.

Existem vários tipos de valores nas organizações: os valores de permissão para agir, básicos para a conduta de cada funcionário; os valores de aspiração, aqueles que a empresa ainda não tem, mas espera alcançar; os valores acidentais, que dependem da característica e do perfil de cada empregado e, por fim, os valores essenciais, que norteiam os funcionários a atuar de acordo com a filosofia e a missão da empresa.

Há uma extraordinária falha na definição e divulgação dos valores essenciais em muitas organizações. Várias delas, não sabem que valores essenciais podem atrair coisas boas, tais como melhor qualidade de mão de obra, aumento de produtividade e outros resultados de níveis tático e estratégico.

Quero chamar a atenção para uma qualidade fundamental para o marketing das empresas: a competência para tornar cada funcionário verdadeiro e positivo, representante e divulgador da imagem da empresa junto ao mercado, principalmente aqueles que lidam diretamente com os clientes.

Quando os valores empresariais incluem a preocupação com a felicidade dos funcionários, seu bem estar e seu desenvolvimento pessoal, passa-se a acreditar nas intenções da empresa, fala-se bem dela em todos os lugares e, principalmente, a empresa passa a tratar os clientes com mais carinho, se esforçando muito para levar a ao consumidor o máximo de satisfação.

Quando a equipe de profissionais tem fé na empresa, tende a se evolver integralmente com ela. Os profissionais que lidam com o público devem estar preparados para ser uma espécie de embaixadores dos valores da empresa. Dessa forma, os clientes poderão perceber de perto o que a empresa é e fazer o seu próprio julgamento.

Em muitos casos, no entanto, tenho visto o contrário. Não há uma interconexão da empresa com os funcionários que a representam. Vários falam mal da própria organização; transmitem valores negativos e seu nível de conhecimento de vendas ou relacionamento é pequeno, além de adotarem atitudes inadequadas. O responsável por tudo isso pode ser a inexistência ou a falta de percepção dos valores empresariais.

As empresas precisam praticar o que pregam. Devem ajudar a melhorar a vida e a confiança de seus empregados. Precisam investir no treinamento e envolver a todos na filosofia da organização.

Cultura corporativa é fruto de um conjunto de valores críveis e praticáveis. Pode ser o caminho para a melhoria do relacionamento com os clientes e, consequentemente, do desenvolvimento empresarial.

Valores bem esculpidos tornam o irrealizável realizável. Quais são os valores de sua empresa?

Rogério Tobias - Mestre em marketing, administrador, professor dos cursos de graduação e pós-graduação no Uni-BH e Uemg. Coach e palestrante, autor do livro 121 artigos de marketing. E-mail: rtobias@terra.com.br; Blog: rogeriotobias.blogspot.com; Twitter: @rogeriotobias; Facebook: Skype: consultorrogeriotobias