segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
On 21:06 by Rogério Tobias in artirgos

Artigo publicado no Jornal Estado de Minas em 06 de fevereiro de 2011.
Imagine uma empresa que já esteja na
mente de grande parte dos clientes brasileiros. Ela vende muito porque,
historicamente, tem preços bons, está nos melhores shoppings do país e tem um
mix de produtos amplo, o que a torna uma ótima oportunidade para quem quer
solucionar o problema rapidamente. A empresa vende material escolar, produtos
de cozinha, eletroeletrônicos, brinquedos; bombons, biscoitos, livros; material
de informática e muito mais e faz muita propaganda, atingindo seu público-alvo,
que é amplo. Ele vai da classe C até pessoas da classe A, que buscam produtos
diversos.
Parece o céu, o ouro sobre o azul!
Mas esta é a questão. Quando as vendas ficam fáceis demais, tornam-se uma
rotina natural da empresa, que tende a relaxar e sua linha de frente é
esquecida, porque – seja como for as vendas, elas acontecem. Deixa-se então de
treinar o pessoal, há menor rigor na admissão de profissionais, os atuais
percebem a desordem e naturalmente se descuidam nos relacionamentos com o
consumidor. Não há cobrança ou avaliação séria de resultados.
Pesquisei uma empresa com esse
perfil. Fui analisá-la na condição de cliente. Comprei produtos e, enquanto
isso, fui registrando os equívocos cometidos.
O movimento de clientes era grande,
mas era possível registrar muitas vendas perdidas, o que em muitos casos passa
despercebido pela gerência.
Que erros fazem muitas vendas
“saírem pela porta”? Não existem grandes surpresas ao responder esta questão,
pois a maioria dos fatores é elementar.
Vejam alguns deles:
- Loja suja: Era visível a falta de
manutenção e limpeza do ambiente, deixando-o com um aspecto abominável para uma
loja de shopping.
- Falta de reposição natural de
mercadorias: as prateleiras e gôndolas vazias ou com produtos quebrados, ou
fora de lugar.
- Má distribuição de grupos de
produtos pela loja: um produto de determinada categoria era exposto em uma
vitrine, mas não era vendido ali nem tinha ninguém para mostrar onde ele estava
realmente à venda.
- Vendedores visivelmente
desmotivados: Eles fogem visivelmente das perguntas dos clientes ou são
grosseiros ao responder a eles. Chegam à falta de respeito.
- Produtos sem preço e máquinas de
verificação digital de preços com difícil localização ou acesso. Muitas não
funcionam regularmente.
- Falta de critério de parcelamento:
não há uma informação clara se o pagamento pode ser divido em seis, oito ou 10
parcelas, no cartão da loja ou nos cartões bancários.
- Ausência de vendedores: os
clientes buscam informações com outros clientes. Tentam desesperadamente achar
algum produto ou identificar o setor de trocas.
- O setor de trocas é colocado em um
ponto inadequado da loja: a fila normalmente é em local inadequado, próxima de
displays, corredores, onde as pessoas se esbarram.
Não considero razoável a
justificativa de que se está no período de calendário promocional ou fim de
ano. Nem de que o movimento foi acima do esperado. Em marketing, o planejamento
é instrumento sine qua non.
Sempre comento nas palestras que o
sucesso atual não garante o futuro. Empresas que tiveram resultados de vendas
extraordinários são hoje apenas lembranças na cabeça de muitos clientes.
Ficar desatento ao atendimento,
deixar o merchandising para depois, dificultar o entendimento dos clientes no
que se refere ao sistema de pagamento, maltratar as pessoas é outros desacertos
é uma receita perigosa, pois, dá espaço para a ação da concorrência, afugenta
os clientes, e os faz abandonar a empresa atual, assim que surgirem outras
alternativas.
O consumidor agora é outro. Ele
questiona mais, reclama mais, comunica a sua insatisfação a milhares de pessoas
com muita rapidez e perdoa menos os erros. Popularidade e preço baixo já não
representam tanto nesta era do marketing 3.0. Nela os clientes estão tomando
consciência de que o seu poder de compra tem impacto global.
É essencial investir em marketing,
especialmente em vendas. Que tal observar mais de perto essas questões em sua
empresa?
Rogério Tobias - Mestre em marketing, administrador, professor dos cursos de graduação e pós-graduação no Uni-BH e UEMG. Diretor executivo da Rogério Tobias Consultoria e Treinamento em Marketing, coach e palestrante
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Livro: 121 Artigos de Marketing (Prof. Rogério Tobias)
Consultor MSc. Rogério Tobias ADM.
Profissional na área de Consultoria, Treinamento e Prática do marketing nas empresas. Atua atendendo de forma customizada as necessidades empresariais para uma melhor gestão do marketing, com ênfase em Vendas e motivação de equipes. Autor do livro "121 Artigos de Marketing".